A osteoartrite do joelho é uma das principais causas de dor, perda de mobilidade e limitação funcional em adultos e idosos. Durante muito tempo, a doença foi compreendida apenas como um processo de desgaste da cartilagem. Hoje, porém, sabe-se que ela envolve toda a articulação, incluindo ossos, meniscos, membrana sinovial, ligamentos e musculatura ao redor do joelho.
Essa mudança de entendimento também transformou o tratamento. O objetivo atual não é apenas aliviar a dor, mas preservar a função articular, reduzir a sobrecarga e retardar a progressão da doença sempre que possível.
Os sintomas costumam surgir de forma gradual. Dor ao caminhar, subir e descer escadas, levantar-se de uma cadeira ou permanecer muito tempo em pé são queixas frequentes. Também podem ocorrer rigidez após períodos de repouso, estalos, inchaço, redução da amplitude de movimento e sensação de instabilidade.
A intensidade dos sintomas nem sempre acompanha o grau de alteração observado nos exames de imagem. Algumas pessoas apresentam desgaste importante na radiografia com pouca dor, enquanto outras sentem limitações relevantes mesmo em fases iniciais. Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas nos exames, mas também na avaliação clínica, no histórico do paciente e no impacto da doença sobre sua rotina.
O tratamento moderno da osteoartrite do joelho combina diferentes estratégias. Exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, controle do peso, adaptação das atividades e fisioterapia individualizada são considerados pilares do manejo não cirúrgico. Medicamentos e procedimentos intra-articulares podem ser utilizados como complemento, de acordo com o quadro clínico e as necessidades de cada paciente.
O fortalecimento do quadríceps, dos glúteos e da musculatura posterior da coxa contribui para melhorar a estabilidade e reduzir parte da carga transmitida à articulação. Exercícios orientados também ajudam a preservar a mobilidade, melhorar o equilíbrio e aumentar a segurança durante as atividades diárias.
O controle do peso corporal tem papel igualmente importante. O excesso de peso aumenta a carga mecânica sobre os joelhos e pode contribuir para a piora da dor e da limitação funcional. Mesmo uma redução moderada do peso pode produzir benefícios relevantes quando associada a uma rotina adequada de exercícios.
Entre os tratamentos intra-articulares, a viscossuplementação com ácido hialurônico pode ser considerada em pacientes selecionados, especialmente quando há dor persistente apesar das medidas iniciais. O procedimento busca melhorar as propriedades do líquido sinovial e pode proporcionar alívio temporário dos sintomas.
O plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, também tem sido estudado como alternativa no tratamento da osteoartrite. Alguns trabalhos mostram melhora da dor e da função em determinados grupos de pacientes, mas os resultados variam conforme o grau da doença, o perfil do paciente e o protocolo utilizado. Por esse motivo, sua indicação deve ser individualizada.
É importante compreender que infiltrações não regeneram integralmente a cartilagem nem eliminam a doença. Elas podem ajudar no controle dos sintomas e favorecer a participação do paciente na fisioterapia e nos exercícios, que continuam sendo fundamentais para o tratamento.
Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados em determinados momentos, mas não devem ser a única estratégia terapêutica. O uso prolongado e sem acompanhamento pode aumentar o risco de efeitos adversos, especialmente em pacientes com problemas gástricos, renais, cardiovasculares ou que utilizam outros medicamentos.
Nos últimos anos, pesquisas têm investigado terapias capazes de modificar a progressão da osteoartrite, incluindo medicamentos direcionados a mecanismos inflamatórios, biomateriais e tratamentos biológicos. Embora os estudos sejam promissores, ainda não existe uma solução capaz de reverter completamente o desgaste da articulação em todos os pacientes.
Por isso, a melhor abordagem continua sendo a combinação entre diagnóstico precoce, tratamento individualizado e acompanhamento contínuo. Quanto antes forem identificados os fatores que contribuem para a dor e para a sobrecarga, maiores são as possibilidades de preservar a mobilidade e adiar a necessidade de procedimentos mais invasivos.
A cirurgia passa a ser considerada quando a dor permanece intensa, o tratamento conservador deixa de oferecer resposta adequada e as limitações comprometem atividades básicas, como caminhar, trabalhar ou dormir. Dependendo da idade, do alinhamento do membro e da extensão do desgaste, podem ser indicadas cirurgias de preservação articular ou a artroplastia do joelho.
A decisão cirúrgica não deve ser tomada apenas com base na radiografia. Ela depende da combinação entre sintomas, perda funcional, alterações estruturais e resposta aos tratamentos já realizados.
Para quem convive com osteoartrite, o acompanhamento especializado permite definir prioridades, ajustar exercícios, controlar a dor e escolher os tratamentos mais adequados para cada fase da doença. Não existe uma única estratégia válida para todos os pacientes. O melhor plano é aquele construído a partir da condição da articulação, das limitações apresentadas e dos objetivos individuais.
Se a dor no joelho está dificultando sua rotina, limitando seus movimentos ou impedindo atividades que antes eram simples, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar o estágio da osteoartrite e definir as melhores possibilidades de tratamento.
Onde Encontrar o Dr. Luiz Gustavo Venturini
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